Notícias › 05/11/2012

Parada Gay de Madureira leva multidão ao subúrbio do Rio

A décima segunda edição da Parada do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis) de Madureira arrastou uma multidão para o bairro da zona norte do Rio de Janeiro.

A expectativa da organização é que 1,5 milhão de pessoas, entre gays e héteros, participem da parada, que ocorre de 15h às 21h no calçadão de Madureira, centro comercial de um dos bairros mais tradicionais do subúrbio carioca. A Polícia Militar ainda não tem uma estimativa de público. A parda é organizada pelo MGTT (Movimento dos Gays Travestis e Transsexuais).

A parada é a chance que o auxiliar de petshop Fábio de Oliveira, 30, tem de se soltar. Na edição deste ano, ele foi fantasiado de faxineira. De espanador na mão, vestido preto, meia arrastão e salto alto, ele promete “limpar o preconceito das pessoas”. Fábio explica que fantasia é uma forma de vencer a timidez.

“Na parada gay eu posso dar pinta, falar fino e rebolar, coisa que no dia a dia eu não faço”, disse ele, sobre um salto de 10 centímetros. “Eu calço 42 e é difícil achar sapato do meu tamanho.”

Casado há cinco anos, quando se assumiu gay, ele diz que seu marido o deixa ir apenas duas paradas gay por ano. “Eu venho sempre nessa e na de Copacabana.”

Símbolo da comunidade gay, a drag queen Isabelita dos Patins marcou presença sem seus tradicionais patins. “Desde que eu tive um infarto no ano passado que eu me apresento sem os patins. Só os visto se o cachê for de R$ 40 mil”, disse ela, que incorpora o personagem há cerca de 40 anos (ela diz ter perdido as contas).

Isabelita comemora a cada vez maior afirmação da comunidade gay pelo mundo. “A Isabelita me deu o apartamento onde eu vivo hoje. Hoje em dia há muito menos preconceito do que quando eu comecei”.

Também vestido de drag, André Luiz, 30, prefere não dar seu sobrenome porque no dia a dia diz ser executivo em uma empresa do setor financeiro. Com quase dois metros de altura, empertigado em um vestido tubinho cor de rosa, ele e dois amigos posavam para fotos com leques na mão. Nem mesmo os pelos do peito e a barba por fazer atrapalham a fantasia.

“É uma brincadeira. Se algum cliente me reconhecer eu não me incomodo. Se está aqui é porque gosta da coisa”, brinca ele.

A afirmação de André Luiz, contudo, contraria a percepção da Prefeitura do Rio. O coordenador da secretaria para a Diversidade Sexual e Religiosa, André Tufvesson, afirmou que nas paradas gay do Rio de 45% a 55% é de heterossexuais.

“Isso é ótimo porque mostra que a população está cada vez mais aberta às diferenças”, disse ele. A Prefeitura patrocinou a parada gay de Madureira deste ano com R$ 227,7 mil. Foram disponibilizados 1,5 mil doses de vacinas contra hepatite B para a população. Foram distribuídos também 150 mil camisinhas.

Outro personagem que fazia muito sucesso entre a multidão era a Glória Mania, uma paródia da repórter Glória Maria da TV Globo. O jardineiro Marcos Antônio Green, 41, é quem incorpora o personagem. Em um terninho rosa e com um microfone na mão (sem câmera), ele entrevistava as pessoas e posava para fotos.

“Há seis anos que eu me visto de Glória Mania. Os preconceitos aos poucos está caindo”, disse ele.

da Folha de S.Paulo

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